Medo Profundo – Crítica

Despretensioso, o suspense Medo Profundo (47 Meters Down) entretém com a história de um mergulho em alto mar que dá errado. Com direção de Johannes Roberts, de Do Outro Lado da Porta, o filme funciona como entretenimento e se esforça, de maneira não muito criativa às vezes, para manter o clima de tensão por toda a projeção.

Após uma sequência interessante na piscina de um hotel, na qual vimos as duas irmãs que protagonizam o filme, Kate (Claire Hot) e Lisa (Mandy Moore), o roteiro nem tenta criar uma conexão do público com elas. Tanto que, ao longo da projeção, pode ser comum nos perguntarmos quem é quem embaixo da água –  o que importa saber é que uma é mais aventureira, a outra é menos, e ambas vão se ferrar em um passeio de mergulho em uma área de tubarões. Esse começo limita-se a explicar porque as duas resolvem mergulhar de um barco clandestino, um detalhe que não é bem explorado na trama, tirando que ele justifica a precariedade do equipamento que se rompe e deixa as duas garotas debaixo da água, no meio dos tubarões.

Dentro de uma jaula a 47 metros de profundidade, em alto mar, as duas garotas tem que se preocupar com o oxigênio acabando e com a presença de tubarões na região. Além disso, elas sabem tanto sobre os caras do barco quanto o público: nada. Se aqueles homens estivessem envolvidos com alguma atividade ilegal, além de jogar iscas para os tubarões, eles chamariam as autoridades para resgatá-las? Algum deles pularia na água para salvá-la? É melhor se arriscar e morrer tentando se salvar ou ficar na jaula esperando uma ajuda que elas não sabem se virão?

Com uma grande reviravolta exagerada que deve provocar risos no público, mas com bons momentos de tensão debaixo da água, Medo Profundo diverte, apenas. Poderia ter explorado melhor questões como a da alucinação, criando uma tensão entre as duas irmãs, ou ter trabalhado melhor os personagens do barco, para reforçar a dúvida se aqueles homens iriam resgatá-las ou não. O filme não tem a tensão de um Águas Rasas ou do clássico Tubarão, nem chuta o balde completamente como em produções mega exageradas no estilo Piranha.  Mas é só não levá-lo a sério, que está tudo bem.

Por Gabriel Fabri

Confira o trailer de Medo Profundo clicando aqui.