Com Amor, Simon – Crítica

Comédias adolescentes raramente têm como protagonista um personagem homossexual. Por isso, um filme como Com Amor, Simon ganha em importância por trazer representatividade às telas. Dirigido por Greg Berlanti, o longa-metragem é uma adaptação do romance de mesmo nome escrito por Becky Albertalli.

A história é simples: Simon (Nick Robinson) é um jovem homossexual e que, no último ano do colégio, guarda a sua orientação sexual em segredo. Quando, em um site de fofocas da escola, um outro aluno comenta sob pseudônimo sobre estar no armário,  o jovem começa a, também sob um codinome, trocar mensagens com ele. Encontrar alguém para conversar sobre a sexualidade é um alívio para Simon – entretanto, as conversas passam a ser um problema quando um colega as descobre e resolve chantagear Simon para não publicá-las. Do elenco da série 13 Reasons Why, Katherine Langford e Jennifer Garner interpretam a melhor amiga e a mãe do garoto, respectivamente.

O roteiro foca em retratar a dificuldade do personagem em se assumir para a família e para os amigos. Entretanto, traz uma visão diferente do ambiente escolar, pois ao mesmo tempo em que mostra o bullying, acaba pintando essa atmosfera como algo no geral positivo. A ideia é que o público torça para que o protagonista saia do armário e encontre o seu amor virtual, e, meio que encorajando a todos, o personagem babaca também pode ser um amigão, o bullying é reprimido pela professora de teatro brava, o diretor da escola é esquisito e não sabe o que dizer, mas mesmo assim é alguém em que se pode confiar – até a internet, o local do bullying facilitado e ampliado, é retratado como uma ferramenta positiva. Em suma, tudo no roteiro vai no sentido de encorajar o personagem – e, por consequência, o público – a ser ele mesmo e se revelar. É uma abordagem radicalmente oposta à da série 13 Reasons Why, por exemplo, que mostrava todos os podres desse ambiente e das pessoas que o frequenta.

De maneira leve e divertida, Com Amor, Simon cativa e consegue segurar a simpatia e a atenção do público. Não há grandes sacadas, nem um grande momento memorável como o discurso de pai e filho em Me Chame Pelo Seu Nome (romance gay vencedor do Oscar 2018 de Melhor Roteiro Adaptado). Mas cumpre o que promete como entretenimento e também se presta a um papel importante dentro do cenário de filmes adolescentes.

Por Gabriel Fabri

Assista ao trailer de Com Amor, Simon clicando aqui.