Deixe a Luz do Sol Entrar – Crítica

Um dos principais nomes do cinema francês, a cineasta Claire Denis é sempre lembrada pelo ousado Desejo e Obsessão, uma obra que marcou o chamado Novo Extremismo Francês – um conjunto de filmes que abusavam da violência explícita e da carnificina. Entretanto, mesmo antes disso, a carreira da cineasta sempre seguiu por outros caminhos, que destoam da tentativa de chocar inerente a esse filme. Entre as suas obras mais significativas, estão Minha Terra, África e Bom Trabalho, por exemplo – sendo o mais recente o drama Bastardos. Agora, ela se junta a uma das maiores atrizes francesas no longa-metragem Deixe a Luz do Sol Entrar: Juliette Binoche.

Desde a primeira cena, percebemos que Isabelle (Binoche) é uma mulher frustrada sexualmente. Na cama com um homem casado, ela visivelmente não está tendo prazer com aquela relação, algo que o sujeito, obviamente, não parece se dar conta – ou se importar com isso. O tédio da sua rotina é suprimido com encontros com diferentes homens, relações sexuais vazias e papos furados.

Com exceção de uma cena de dança que parece sugerir algo mais onírico, como um pretendente que talvez não exista na realidade, o longa-metragem de Claire Denis se arrasta ao retratar uma rotina entediante. Não há nenhum grande acontecimento além de diálogos longos demais e homens que não valem a atenção da protagonista, quanto mais a do público. A sucessão de homens desinteressantes que passam pelo roteiro reforçam a ideia de que a vida da protagonista está no fundo do poço, entretanto, Deixe a Luz do Sol Entrar não decola a partir daí e, na falta de rumo, coloca nas mãos de uma ponta de Gérard Depardieu o desfecho. O resultado é um tanto medíocre, se tratando de uma das cineastas mais significativas do cinema francês.

Por Gabriel Fabri

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