Sete dias em Entebbe – Crítica

“Não negociamos com terroristas”. Tal frase, muito dita por políticos nos mais diversos contextos, e muito comum de ser ouvida em qualquer filme sobre o tema, expressa uma arrogância perigosa, uma vez que torna o caminho bélico o único para resolver conflitos. Ninguém acha legal negociar com terroristas, mas, para criar uma imagem dura, vidas são colocadas em risco com essa estratégia. Mesmo retratando uma história real em que o caminho foi na direção dessa diretriz de não negociar, Sete dias em Entebbe tem como um de seus pontos centrais essa discussão justamente sobre como lidar com terroristas – em um contexto delicado, o conflito Israel-Palestina.

Dirigido pelo brasileiro José Padilha (Tropa de Elite), o longa-metragem retrata o sequestro e o resgate dos passageiros do voo 139 da Air France, que viajava de Tel Aviv para Paris, em 1976. A trama foca nos dois terroristas alemães, que integraram o grupo dos sequestradores ao lado dos palestinos:  Wilfried (Daniel Brühl) e Brigitte (Rosamund Pike). Paralelamente, a produção acompanha o primeiro-ministro, o vencedor do Nobel da Paz Yitzhak Rabin, em discussão sobre como irá resolver o sequestro: negociando, ou atacando sem negociar?

Com montagem ágil do brasileiro Daniel Rezende (Diretor de Bingo – O Rei das Manhãs), o filme funciona como entretenimento, ao mesmo tempo que levanta a questão sobre como lidar com um problema desse tipo, em que milhares de vidas estão em perigo, e também sobre a eficácia de métodos como o dos sequestradores – o personagem de Brühl, em certo ponto, percebe que um alemão sequestrar um avião cheio de judeus, mesmo que a causa palestina seja nobre, não foi a melhor ideia de sua vida. De um diretor controverso como Padilha, criador do “herói” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, podia-se esperar um filme muito mais controverso ou belicista. Entretanto, a mensagem aqui é de paz, de diálogo e questionamento – maniqueísmo próprios de filmes de terrorismo são sabiamente evitados, e isso que constitui a força do filme.

Entretanto, nem tudo funciona no longa-metragem. Convencional demais, o filme tenta uma pegada mais autoral ao incluir cenas de dança. É tão empolgante que a coreografia rouba a cena da ação, mas, o fato é que ela é colocada de maneira completamente aleatória – isso não é um problema, tirando o fato de que o roteiro tenta explicar a inclusão dessas cenas criando uma subtrama, um romance de uma bailarina e um soldado, que não agrega nada à trama. Pelo contrário, só atrapalha. O pior é que, ao mostrar o lado do exército israelense, o diretor poderia ter escolhido a história do tenente morto em combate  Yonatan Netanyahu, irmão do atual primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Isso tornaria o filme muito mais relevante, uma vez que relacionaria o evento de 1976 diretamente com a atualidade – porém, essa informação fica jogada no final. Por que o filme perdeu tempo de projeção com uma história banal de um casal aleatório quando tinha o irmão do atual primeiro-ministro em combate?

Dividindo opiniões no Festival de Berlim, Sete Dias em Entebbe convida para o debate, e ganha pontos ao abordar a questão do terrorismo de maneira não maniqueísta. Entretanto, não é um grande filme, e pode gerar muita polêmica ainda – afinal, não é todo diretor que dá voz e humaniza políticos e terroristas, tudo de uma vez.

Por Gabriel Fabri

Confira o trailer de  Sete Dias em Entebbe clicando aqui.

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