Missão: Impossível – Efeito Fallout – Crítica

Desde que foi reiniciada por J. J. Abrams em 2006,  Missão: Impossível decolou como uma das mais fortes franquias em Hollywood, levando Ethan Hunt ao patamar de James Bond e Jason Bourne nos filmes de espionagem. A cada novo episódio, entretanto, há a necessidade de fazer algo ainda maior e mais espetacular – o que levou Tom Cruise a se arriscar ainda mais nas suas investidas sem dublê. Repetindo o papel na direção, Christopher McQuarrie, responsável pelo quinto filme, consegue entregar um resultado ainda mais alucinante que o anterior em Missão: Impossível – Efeito Fallout.

O longa-metragem retoma a conspiração introduzida no quinto filme a respeito do Sindicato, a organização terrorista global que nasceu de dentro do órgão de inteligência britânico. A missão de Hunt era simples: recuperar três ogivas nucleares, se passando por um comprador. Entretanto, o agente as perde para os membros do Sindicato, ao tentar salvar seu colega. Para recuperar as ogivas, a CIA providencia a ajuda do letal agente Walker (Henry Cavill), que suspeita que Hunt esteja, na verdade, colaborando com os terroristas. De fato, Hunt terá que se passar por um para conseguir recuperar as bombas e, para isso, seu destino irá cruzar com o de uma velha conhecida, a agente do MI6 Ilsa Faust (Rebecca Ferguson).

A estratégia de McQuarrie aqui é novamente focar nas sequências absurdas e alucinantes de ação, embaladas pela grandiloquente trilha sonora, icônica, da série. O fato de todos os personagens, com exceção de Walker, já serem rostos conhecidos torna o caminho mais fácil para o roteiro, que se esforça para amarrar todos os contratempos que a trama traz. Como Walker é o único cara novo nessas condições, torna-se quase que obrigatório que o público desconfie dele o tempo todo, uma espécie de um alerta de que depois de um problema haverá outro ali do lado, esperando para atacar. É algo hitchcockquiano que o filme nem tenta disfarçar que o personagem de Cavill, com o seu o polêmico bigode que não podia ser removido para as filmagens de Liga da Justiça, será um problema em algum momento. Resta a expectativa saber de que proporções.

Com quase duas horas e meia, o longa-metragem consegue a proeza de não cansar o público, pelo contrário, é uma constante injeção de adrenalina. Já no epílogo, com uma negociação com um terrorista para um senha de um celular, o público já está ganho com o truque dos agentes, e, a partir daí, é uma sequência de ação mais tensa que a outra. O risco de que as cenas se repitam em meio a reviravoltas e explosões é minimizado com o carisma de seus personagens, que funcionam bem em equipe, apesar de o bom mocismo de Hunt, aqui retratado quase como um Deus, um pouco exagerado. Na época em que o 007 de Daniel Craig é um Bond cheio de defeitos, Hunt toma o lugar de super-herói imaculado da espionagem para si. Mas, com uma aventura dessas, não podemos reclamar que o roteiro deixe as eventuais fraquezas do personagem de lado.

Por Gabriel Fabri

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