Nina (42ª Mostra Internacional de Cinema)

Estreia da polonesa Olga Chajdas na direção de um longa-metragem, Nina conta a história de um romance lésbico nascido de uma situação improvável: da busca por uma barriga de aluguel por um casal que não consegue ter filhos. Essa é a premissa do filme, cujo roteiro mostra, de um lado, um casamento aparentemente perfeito saindo dos trilhos e, de outro, uma descoberta de novos horizontes, curiosamente, não representados pela gravidez.

Após bater no carro da jovem Magda, Nina vê na bela garota uma oportunidade para achar uma barriga de aluguel ao seu gosto. O marido, Wojtek, obviamente atraído pela garota, concorda que devem se aproximar dela, uma vez que as agências não estavam dando candidatas que agradavam o casal. A relação de Nina e Magna, entretanto, acaba ficando mais intensa do que o esperado.

Construído lentamente, o filme opta por tentar conduzir um romance de maneira mais natural. O resultado é um pouco cansativo, mas é fácil se deixar levar pela beleza e personalidade fortes de Magda e, assim, entender a atração desenvolvida por Nina. Sem explorar muito se a personagem do título seria bissexual ou estaria tendo uma aventura, como ela mesma diz, sendo “Magda-sexual”, o filme foca nos sentimentos da protagonista, mas deixa de se aprofundar nos da garota, sabemos muito pouco de Magda e talvez isso faça parte do mistério, e nos sentimentos do marido. Dessa forma, o grande “choque” do final acaba parecendo desproporcional, mais um apelo do roteiro do que algo que faça sentido.

Apesar da delicadeza com a relação das duas, Nina deixa a desejar em termos de roteiro e, talvez, a questão da gravidez, ou mesmo dos outros casos de Magda, pudesse ser melhor explorada. Falta um tempero no filme para torná-lo algo memorável. Deve passar batido na programação da Mostra.

Por Gabriel Fabri

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