Holiday (42ª Mostra Internacional de Cinema)

Uma bela garota dinamarquesa chega à Turquia para férias com o seu namorado. Ao ser recebida por um amigo dele, leva um tapa na cara por ter pedido um empréstimo para comprar roupas de banho novas. “Tudo é de graça para você, sem consequências”, ele provoca, por conta da beleza da mulher. Holiday, estreia na direção da sueca Isabella Eklöf, curiosamente, mostra um universo onde tudo é fácil e sem consequências: o dos ricos, no qual a bela Sacha se vê presa por conta de seu complicado relacionamento.

O longa-metragem critica a superficialidade do mundo dos ricos e a ideia da suposta superioridade deles. Mal educados, criminosos, hipócritas e violentos, a família na qual Sacha se mete é repleta de pequenos detalhes desconfortantes, que crescem até se tornarem abusos de todos os tipos.

Entediada pela rotina de praia, bebida e drogas dos que têm tudo, Sacha se interessa por um homem, dono de um barco, que conheceu em uma sorveteria. Esse pequeno flerte, é claro, trará problemas para o seu namoro e para ela mesma. A viagem em família se torna um pequeno pesadelo, nos detalhes, que explodem em um momento, apenas para serem abafados com a tranquilidade de quem tem dinheiro e poder para abafá-los.

O público certamente sentirá falta de um momento catártico, talvez, da protagonista dar o troco dos abusos que sofre, ou ao menos perceber a hipocrisia e violência do mundo no qual se meteu. Mas o conforto de uma vida de alto padrão fala mais alto, e Holiday não traz um final redentor, ou ao menos feliz, ou traz? Depende da perspectiva. O certo é que, talvez, o filme funcionasse mais se não fosse tão distante dos sentimentos da protagonista. Mas a frieza aqui é quase um charme, e combina com o universo no qual a protagonista está inserida.

Por Gabriel Fabri

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