A Mula – Crítica

Longe das telas desde Curvas da Vida (2012), Clint Eastwood volta a atuar em A Mula, além de assinar a direção. O longa-metragem é um alívio para os admiradores do veterano cineasta, que entregou no ano passado um de seus piores filmes, 15h17: Trem Para Paris. Aqui, ele deixa os temas patriotas de lado para abordar a velhice e a relação de uma pessoa com seu trabalho e sua família.

Nesse road movie, Earl (Eastwood) é um horticultor premiado, que vive sozinho cultivando lírios. Com a concorrência da internet, ele perde o seu negócio e a sua casa. Seria o momento perfeito para ele se reencontrar com a família, que resiste à sua egoísta tentativa de aproximação e não aceita a sua presença – em especial a sua filha, Iris (Alison Eastwood, filha de Clint na vida real). Surge a oportunidade de ele trabalhar transportando cargas: na primeira entrega, entretanto, ele descobre que se meteu no meio de um esquema internacional de cocaína. Seguindo os seus rastros, está o detetive Colin (Bradley Cooper).

Com humor negro, A Mula conquista o espectador ao tratar com leveza temas muito sérios, do cartel de drogas à importância da família. O personagem de Eastwood lembra o idoso ranzinza de Gran Torino e cativa com a sua suposta inocência, suas tiradas cômicas e a maneira peculiar com a qual conduz o seu trabalho. O road movie consegue equilibrar bem o humor, fruto também da inusitada situação na qual o protagonista de 90 anos se encontra, e o drama de chegar ao fim da vida e ter falhado com a própria família.

A Mula é, sem dúvidas, um dos grandes filmes de Eastwood e um dos melhores da safra recente, que inclui obras-primas como Sniper Americano, Invictus e o citado Gran Torino.

Por Gabriel Fabri

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