Kingdom – Crítica

A estreia de Game of Thrones, em 2011, pode ser considerado um marco para a televisão. A fórmula que misturava alianças e conspirações políticas, sexo, criaturas mágicas e muita violência criou uma legião de fãs. Dois anos depois estreou Vikings, produção mais pé no chão, realista e com um orçamento mais modesto em relação a concorrente da HBO, porém que aos poucos foi conquistando o público. De qualquer forma, esses e outros dramas, mostrando conflitos em eras passadas, têm rendido muito na televisão. Agora a Netflix lança uma produção que vem dar um fôlego potente a esse universo.

A trama de Kingdom se inicia quando cartazes não oficiais noticiam a morte do rei, que se encontra recluso vitimado por uma grave doença, e clamam pela ascensão de um novo monarca. Os anúncios geram grave tensão entre o príncipe herdeiro Lee Chang (Ji-Hoon Ju) e o clã Haewon Cho, do qual fazem parte o ministro Cho Hak-ju (Ryu Seong-ryung) e sua filha, segunda esposa do rei e grávida. No início ficamos confusos sobre os personagens e suas motivações, porém os métodos cruéis dos Cho logo nos apontam que o protagonista será Chang, que viaja para o sul de Coreia para encontrar o médico de seu pai e obter informações sobre sua reclusão.

A Coreia do Sul, que vem cada vez mais chamando a atenção para a qualidade de seu audiovisual, não faz feio com Kingdom. A trama complexa envolvendo conspirações entre nobres é potencializada pelos aspectos técnicos, como os excelentes figurinos e, principalmente, a hipnótica fotografia, com planos abertos que ressaltam a imponência dos palácios e das paisagens selvagens.

Em sua jornada, o príncipe leva com ele o guarda costas Moon-Young (Kim Sang-ho). Também conhece a enfermeira Seo-bi (Bae Donna) e o misterioso plebeu Yeong-Shin (Kim Sung-gyu), personagens cujos carismas são mais um dos pontos positivos da série. Porém o que realmente deve chamar a atenção do público ocidental é a presença de zumbis.

Os mortos-vivos são considerados por muitos um elemento/subgênero já desgastado, porém aqui eles são apresentados de uma maneira extremamente inovadora. Diferentemente dos clássicos do gênero, onde a sua origem é uma questão menor, na série coreana as criaturas são uma consequência da trama, gerados pela irresponsável sede de poder do clã Haewon Cho. Tal aspecto, porém, não diminui os estragos causados pelos mortos: movem-se como velocistas e se levantam apenas a noite, o que gera momentos de tensão crescente ao entardecer e explosões de alívio ao nascer do sol.

O único ponto negativo da série, mas que não chega a incomodar, é a exagerada honradez e benevolência que o príncipe assume na segunda metade da temporada, beirando a cafonice em alguns momentos. Com apenas seis episódios, a temporada termina com um empolgante gancho para uma próxima.

Se você está cansado de produções americanas e suas já manjadas fórmulas, Kingdom é uma boa alternativa, que talvez abra as portas para novas narrativas e personagens, diferentes daqueles apresentados pelo eixo euro-estadunidense.

Por Caio Ramos Shimizu

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