Pokémon: Detetive Pikachu – Crítica

A Warner Bros. Pictures é, logo atrás da Disney, detentora dos maiores fenômenos da cultura pop mundial. É sabido também que muitas vezes ela não sabe como trabalhar corretamente tais fenômenos, como na tentativa de universo compartilhado da DC Comics. Pokémon: Detetive Pikachu, filme que bebe da franquia japonesa que foi febre no fim dos anos 1990, seria uma ótima oportunidade de acertar; infelizmente não é o que acontece.

O longa tem uma premissa bem simples: após a morte do pai, Tim (Justice Smith) se junta com o Detetive Pikachu (Ryan Reynolds) e com a jornalista Lucy (Kathryn Newton) para investigar o caso.

Apesar dos problemas, é possível extrair diversas qualidades da obra. A primeira delas se deve ao cuidado com que aquele universo foi criado, o que resulta em uma realidade crível e agradável, em que os Pokémons fazem parte daquela sociedade, vivendo em conjunto com os humanos. As criaturas são todas muito fofas (fato que rende até piada no filme) e devem agradar principalmente a criançada. Já o Pikachu, por sua vez, é um espetáculo a parte, fruto da união de um excelente CGI com falas e piadas bem escritas e que enchem o personagem de carisma.

É interessante também uma manobra que o filme faz para evitar aquelas já batidas piadas que associam o universo a rinhas de animais: as batalhas, elemento central do anime, aqui são jogadas a escanteio, e quando aparecem, são mostradas com um tom de clandestinidade.

Outro ponto positivo do filme são as noites de Ryme, cidade fictícia onde se passa boa parte da narrativa. Ela é repleta de neons, esfumaçada; há um toque neo-noir que dialoga muito bem com a premissa do filme, justificando o “detetive” do título. Elementos que são fruto de um trabalho extremamente competente, principalmente na fotografia e na direção de arte. O que garante que o longa tenha um valor estético muito grande, que só não é maior por um desleixo gravíssimo, já escancarado nos primeiros segundos da obra.

O visual do Mewtwo é intragável, o que não seria um problema se fosse algum outro Pokémon. Porém ao abordar dessa forma um dos seres mais poderosos desse universo e, nesse caso, com importância fundamental para a narrativa, acaba comprometendo todo o filme, muito dependente da grandiosidade do personagem.

Porém o que de fato estraga o filme é o seu roteiro, principalmente os rumos tomados no terceiro ato: é nele que o péssimo vilão se revela. Sem motivações e objetivos claros e com métodos que são negligenciados e traídos pelo próprio longa-metragem, ele protagoniza, junto ao Mewtwo, uma das cenas mais ridículas já vistas no cinema recente. Juntou o CGI tosco de um com ausência de personalidade do outro, o resultado final é risível.

Pokémon: Detetive Pikachu tem muitos acertos, porém quando erra, erra grande e em pontos vitais, comprometendo toda a obra. Ainda sim, o filme merece uma conferida. As crianças certamente vão gostar e a experiência de ver Pokémons realistas é inegavelmente divertida. Além disso, se colocada nos eixos com um pouquinho de paciência, essa saga pode render bons frutos à Warner Bros.

Por Caio Ramos Shimizu

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