Godzilla II: O Rei dos Monstros – Crítica

Diferentemente da Disney, que tem o privilégio da certeza do êxito em praticamente todas as suas franquias, a Warner se vê obrigada a apostar e, dessa forma, a sorte ora vem, ora não. Quando em 2014 foi lançada uma nova versão americana do monstro japonês Godzilla, muitos torceram o nariz para o filme que tinha lá seus méritos, ressaltando com habilidade nossa fragilidade diante de uma criatura tão poderosa. Logo a obra se transformaria em um elemento dentro de um universo compartilhado que pode se tornar algo próspero ao estúdio.

Godzilla II: O Rei dos Monstros é a continuação da franquia criada em 2014 por Godzilla e expandido em 2017 por Kong: Ilha da Caveira. Com a direção de Michael Dougherty, o filme acerta sendo sincero, entregando exatamente o que promete: cenas megalomaníacas de destruição e combate com seres gigantescos.

Partindo do princípio que já conhecemos as condições estabelecidas nos dois filmes anteriores, o novo longa-metragem não perde tempo com desenvolvimentos, tanto de personagens quanto de situações, começando quase que a partir de um conflito, o sequestro das personagens interpretadas por Mille Bobby Brown e Vera Farmiga . Aliás, se há algum defeito, ele se dá pelo enorme desperdício dos vários nomes de peso que preenchem o elenco, o que pode ser até um pouco frustrante para alguns espectadores. O roteiro também é de uma simplicidade absurda, servindo basicamente para criar os cenários que abrem espaço para o brilho das verdadeiras estrelas do filme: os monstros.

As criaturas são de grande exuberância e imponência, e a equipe responsável por dar vida a elas merece menção honrosa pela execução de um trabalho tão primoroso e espetacular. Extremamente necessário já que tanto a destruição que causam quanto os combates entre elas são o elemento central do filme. Aliás, no segundo e terceiro ato do filme, os monstros Rodan, Mothra e, principalmente, Ghidorah e Godzilla tem um papel mais importante no desenvolvimento da narrativa do que os próprios personagens humanos.

A trilha sonora, composta por Bear McCreary, é também fator de peso pra a criação da atmosfera, fazendo uso de coros tribais ao mesmo tempo em que reinventa e homenageia o clássico tema do titã japonês.

Homenagens, na verdade, é o que não faltam no longa. Uma delas, de fato bem mal desenvolvida, mas que agrada, é, em uma tentativa de dar fim aos monstros, o uso de uma arma capaz de destruir o oxigênio do ambiente, a mesma utilizada para matar o Godzilla no clássico de 1954.

Um dos maiores acertos do MonsterVerse, como já vem sendo chamado, é o cuidado na criação de um tom, um clima de tensão gerado pela vulnerabilidade de nós humanos diante de seres muito mais antigos e poderosos. Algo que muito remete ao Cosmicismo lovecraftiano, com seus monstros deuses diante de nossa fragilidade e impotência. A propósito, não duvido que muito em breve vejamos Ctulhu dividindo tela com Godzilla, Kong e companhia. Aguardemos os próximos capítulos.

Godzilla II: Rei dos Monstros é um filme sem nenhuma complexidade, porém que pode funcionar se nos permitirmos aceitar aquilo que propõe: um espetáculo muito bem executado.  

Por Caio Shimizu

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