A Lenda de Golem – Crítica

Logo nos segundos iniciais de A Lenda de Golem, em uma cena tão mal executada que ultrapassa com vigor o limiar do ridículo, temos a falsa impressão de que veremos uma galhofa assumida, porém não é o que acontece. Todo mundo perdoa um filme ruim que brinca consigo mesmo e permite não se levar a sério, porém a insistência dos diretores Yoav e Doron Paz em achar que estão realizando uma densa obra de terror é sem dúvida o maior erro, pois ele torna todos os outros problemas imperdoáveis.

O longa-metragem se passa em uma vila judaica da Lituânia e tem como protagonista Hanna (Hani Furstenberg), mulher casada com Benjamin (Ishai Golan) e que perdeu o filho há sete anos.

O desenvolvimento dos personagens chega ser até interessante no primeiro ato. A protagonista, por exemplo, tem complexidades relevantes como os traumas causados pela perda do filho, o interesse pelos misticismos da Cabala e o conhecimento dos textos da Torá, que naquela sociedade era algo restrito aos homens. Os esforços de Furstenberg também devem ser levados em conta, entregando uma atuação de boa qualidade, que valoriza o primeiro ato do filme. Porém tudo descamba quando um grupo de cristãos vitimados pela peste chega à aldeia, começa a oprimir aquele povoado e o filme tenta fazer terror.

Para se defender dos invasores, Hanna usa seus conhecimentos místicos e cria um Golem, criatura da mitologia judaica que pode ser trazida à vida através de procedimentos divinos. A partir daí o filme mergulha nos maiores clichês possíveis. A criatura, que tem a forma de um menino, é obviamente perigosa e a protagonista começa a projetar a falta que sente do filho no monstrinho. Porém, as obviedades em si nem são o maior problema do filme, e sim o fato de serem muito mal trabalhadas pelo roteiro. O monstro demora muito para surgir e quando surge, toda problemática em seu entorno é muito mal trabalhada pelo roteiro; tanto sua periculosidade quanto a sua relação com a sua criadora, logo, o espectador fica incapaz de se importar. Os erros da narrativa acabam por comprometer até mesmo elementos que estavam caminhando bem.

Hanna por exemplo, acaba se tornando a personagem burra necessária para o funcionamento da narrativa, muito comum em filmes de terror ruins. Quando, diante do marido, nega a violência do pequeno Golem mesmo tendo informações que só ela tem e que comprovam tal brutalidade, somos acometidos por um princípio de úlcera.

As cenas de ação e violência muito mal dirigidas e com CGI tosquíssimo, que poderiam estragar qualquer outro filme, aqui acabam melhorando-o, gerando riso involuntário em uma obra cujos furos irritantes são a regra.

A Lenda de Golem é um filme muito ruim, que perde a oportunidade de ser bom de tão ruim ao se levar a sério demais.

Por Caio Shimizu

Confira o trailer de A Lenda de Golem clicando aqui.