Obsessão – Crítica

A solidão, junto com a ansiedade, parece ser um dos maiores males do século XXI. Reforçados pela dinâmica de autopromoção e isolamento das redes sociais, esses sentimentos são muito presentes, embora pouco se fale sobre eles no cinema – especialmente no gênero de suspense. “Todos estamos sozinhos”, dispara Frances, a personagem de Chloë Grace Moretz em Obsessão, como se fosse algo tão ou mais certo quanto o fato de que a terra é redonda. Algo como: aceite que dói menos.

No longa-metragem de Neil Jordan, ganhador do Oscar por Traídos Pelo Desejo, Frances sente na pele as consequências da solidão – mas, no caso, da solidão de Greta (Isabelle Huppert, indicada ao Oscar por Elle), uma senhora que esqueceu sua bolsa no metrô, devolvida por Frances. Uma vez que a adolescente perdeu recentemente a sua mãe, as duas começam a ficar próximas demais – até que a garota descobre um lado doentio nessa amizade.

Quando se junta duas atrizes de peso, de duas gerações diferentes, com uma trama simples, é difícil de errar. O diretor, então, aposta todas as fichas no talento das duas e se delicia, brincando com clichês do gênero, ignorando decisões absurdas dos personagens e criando um desfecho perfeitamente sádico, que mexe com o nosso instinto de vingança.

Obsessão acerta ao não se levar muito a sério. E, também, ao construir a loucura de Greta aos poucos, sempre elevando um ponto, mas sem deixar de humanizá-la. Afinal, um dia, no mundo louco e individualista em que vivemos, quem pode garantir que não nos tornaremos como ela?

Por Gabriel Fabri

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