Rio 2

Por Gabriel Fabri

A Amazônia é um dos mais importantes ecossistemas do mundo, se não o mais. E ele está sendo destruído pela exploração do homem. Iniciativa louvável mostrar para as crianças o quanto isso é ruim. Rio 2, dirigido por Carlos Saldanha, tem essa boa intenção, mas acaba não se sussentando sequer como um entretenimento passageiro.
Na trama, o casal de araras-azuis Blu e Jade descobre que os pesquisadores que os reuniu no primeiro filme estão na Amazônia, seguindo a pista de que outros exemplos dessa espécie possam existir naquela região. Então, alguns dos personagens do primeiro longa se reunem para voar 3 mil e 200 quilómetros pelo Brasil para ajudar a encontrar as outras aves que possam existir. Chegando lá, Jade reencontra o seu pai e um velho conhecido: dois personagens que trarão muitos problemas para Blu, um animal da cidade grande que precisará se adaptar à selva e à sua nova “família”.
Animais falantes na floresta, conflitos com o sogro, uma pessoa do passado que vem para acertar as contas, a dificuldade de criar os filhos. São temas que já foram incansávelmente representados de maneiras muito diferentes e criativas. Em Rio 2, tudo soa muito superficial e tais tramas se tornam desinteressantes. Se o primeiro filme ganhava pontos por ambientar a ação também nas favelas do Rio de Janeiro, explorando uma gama de oportunidades para usar a criatividade e discutir temas relevantes, aqui tudo cai no clichê. E os personagens que ora foram engraçados e cativantes, perdem o seu brilho em meio a uma trama que nada apresenta de novo ou de substancioso.
Mas e a questão do desmatamento? Fica para o segundo plano e perde força com a caricatura do empresário da madeireira. Pintá-lo como um gênio do mal parece reduzir essa figura a um caso específico de loucura ou insanidade de um personagem que, na verdade, existe aos montes do mundo todo e, creio, devem ser muito mais espertos do que sua representação nesse filme. Se ele ainda fosse bem desenvolvido, com alguma complexidade, poderia dar outro tom ao filme.
De positivo, está o enorme leque de referências culturais da cultura norte-americana, importadas para o Brasil. Na melhor cena do filme, faz-se uma audição para escolher talentos (para um concurso que não leva a nada na trama, vale ressaltar), e há até referências a Miley Cyrus e sua Wrecking Ball. Quanto à cultura brasileira, há bons elementos, principalmente na música. Todavia, sobra a constentação de que Rio 2 é exatamente aquilo que o primeiro não é: um relato preguiçoso de um país limitado a festa, carnaval e florestas.

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