O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki (40a Mostra)
Com personagens despojados que lembram os filmes da nouvelle vague, também por conta do preto e branco e da ambientação nos anos 1960, o longa-metragem finlandês O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki (The Happiest Day In The Life of Olli Mäki), estreia do diretor Juho Kuosmanen, agradou os jurados do Festival de Cannes, de onde saiu vencedor da mostra Um Certo Olhar. O título, inspirado no boxeador finlandês Olli Mäki, integra a programação da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
Na trama, Olli (Jarkko Lahti) é um lutador de boxe famoso na Finlândia, e se torna a grande aposta para competir no campeonato mundial. Jovem, ele terá o seu primeiro grande confronto internacional com um dos maiores nomes do boxe do momento. Apesar da insistência de seu empresário, interpretado por Eero Milonoff, de que ele deve se preparar muito – o que inclui perder quatro kilos para poder competir na categoria de pesos-penas -, Olli tem apenas uma preocupação: ele está apaixonado por Raija (Oona Airola) e não sabe muito bem o que fazer com isso.
Embora o filme pudesse ser muito mais interessante caso houvesse alguma resistência no relacionamento entre Raija e Olli, que é só flores, O Dia Mais Feliz consegue segurar a atenção do espectador ao focar na resistência de Olli em focar no preparo para o grande confronto de sua vida. É uma subversão da maioria esmagadora de filmes de boxe, que enfatizam a superação do atleta. Aqui, o foco é justamente o contrário. Olli está descobrindo o amor, e isso é mais importante para ele do que os patrocinadores e sua carreira. E o tal dia mais feliz da vida dele de longe não será o dia da grande luta. É uma obra muito agradável de se assistir.
| Gabriel Fabri