De Pernas Pro Ar 3 – Crítica

Quando o primeiro De Pernas Pro Ar foi lançado, falar de vibradores no cinema nacional mainstream – tratava-se, afinal, de uma produção com atores globais e de projeção – era uma inovação. O ano era 2010 e um tema como a masturbação feminina, tratado com naturalidade, não era comum para o grande público. Os tempos mudaram, o feminismo ganhou força e De Pernas Pro Ar 3, agora com direção de Júlia Rezende, retrata essas mudanças no novo filme, que chega seis anos após o segundo.

Agora uma empresária bem sucedida, Alice (Ingrid Guimarães) percebe que colocou o trabalho em primeiro lugar, perdendo momentos importantes com a família. Ela então decide deixar a empresa no comando de sua mãe, interpretada por Denise Weinberg, para passar mais tempo em casa. Mas se deixar o trabalho já seria difícil para uma empresária de sucesso, fica ainda mais complicado quando ela conhece uma nova empreendedora do ramo, Leona (Samya Pascoto), que, além de criar um óculos inovador de realidade virtual, também demonstra interesse no seu filho, competindo com ela em duas frentes.

O roteiro, que dessa vez é assinado também por Ingrid Guimarães, acerta ao focar nos conflitos dos personagens: além do casamento de Alice com João (Bruno Garcia), o paralelo somado ao conflito de gerações entre ela e Leona funciona. A comédia ainda tem momentos de pastelão, mas são pontuais, dando um respiro para os personagens se desenvolverem.

Se De Pernas Pro Ar sempre foi uma comédia feminista, com uma mulher independente e dona de sua sexualidade no comando, De Pernas Pro Ar 3 atualiza os temas do filme para o momento atual, e ainda coloca questões em discussão como a competitividade entre as mulheres e a questão da idade. Em suma, continua uma maneira divertida de expressar os conflitos e desejos das mulheres, sem tabus ou preconceitos.

Por Gabriel Fabri

Confira o trailer de De Pernas Pro Ar 3 clicando aqui.