Batman Vs Superman: A Origem da Justiça

Continuação direta de O Homem de Aço, de Zack Snyder, o novo filme do personagem da DC Comics entrou para a lista dos mais esperados do ano por trazer um confronto entre os dois maiores super-heróis da marca de quadrinhos. Snyder assume novamente a direção em Batman vs Superman: A Origem da Justiça, um filme que ensaia uma mudança de tom nas franquias de heróis.

O grande motivo para o enfrentamento dessas duas figuras não é prudente revelar. Entretanto, o longa-metragem desde o começo trabalha com as oposições entre Superman (Henry Cavill) e Batman (Ben Affleck). Um desdenha do outro, considerando-o uma ameaça à população. O primeiro vê em Batman um bandido – um justiceiro que age por conta própria, tentando fazer “justiça” com as próprias mãos. O segundo vê o perigo nos superpoderes de Superman, acreditando que um homem que se comporta como um deus pode deixar de ser a esperança de um povo e se tornar a sua condenação. Paralelamente, Lex Luthor (Jesse Eisenberg), um bilionário cientista, age com objetivos escusos.

Trata-se de um retrato de três homens obcecados pelo poder querendo eliminar a concorrência. Mas, quanto aos dois heróis, sim, são bem intencionados, apesar do poder e da sensação de responsabilidade (e superioridade) os cegarem vez ou outra. Fica difícil escolher um lado nessa que prometia ser a mais épica das batalhas dos longas-metragens baseados em quadrinhos. E isso é bom, por que, pelo menos até certo ponto do filme, parece que a obra de Snyder vai além de retratar os heróis como seres imperfeitos – Batman vs Superman: A Origem da Justiça é um retrato de uma sociedade descrente em seus heróis. Em mundo repleto de violência, maldade, corrupção e terrorismo, as coisas boas, que nos dão esperança, parecem se perder de vista. É um retrato de uma sensação um pouco diferente do que ocorre atualmente no Brasil, onde um herói vez ou outra é elegido cegamente por parte da opinião pública, ignorando o bom senso e as contradições (até chamavam um deles de Batman). Aqui, esse deslumbramento já passou e questões políticas, morais e sociais vêm à tona. Snyder mostra que os seus heróis são bons, mas que, mesmo que de outro planeta, também são humanos – para o bem ou para o mau.

O tom duro e sombrio de Batman vs Superman: A Origem da Justiça é um acerto, e é um alívio que o filme trabalhe mais suas questões políticas do que as cenas de ação, que adquirem mais força sem o excesso. Há, inclusive, uma grande reviravolta no meio da trama que é o ponto alto do filme: e ocorre justamente em uma sessão no Capitólio, o congresso estadunidense. Ben Affleck não está mal no papel de Batman e, aliás, ao introduzir o homem-morcego, Snyder demonstra ter aprendido com os erros de seu longa-metragem anterior: sem mais introdução de meia hora que podia ser resolvida em uma cena. Mas quem brilha mesmo é Gal Gadot, cuja Mulher Maravilha tem papel importante na trama, assim como Amy Adams, que retorna como Lois Lane.

O ponto fraco de Batman vs Superman é justamente no seu clímax, que parece deixar de lado toda essa história de que os heróis são imperfeitos. O filme aí se esgota, e começa a lembrar o clímax desastroso de O Quarteto Fantástico, de Josh Trank, com a única diferença de que a batalha contra o monstro acontece em uma cidade real, e não em outra dimensão. E se Batman e Superman ganham contornos mais complexos nesse filme, o mesmo não pode se dizer de seu vilão, que transita entre a maldade a loucura de maneira muito caricata e sem graça. Se explorasse melhor as semelhanças entre os heróis e vilões, e não as diferenças, Batman vs Superman: A Origem da Justiça poderia ser bem melhor. Fica a sensação de que o primeiro encontro nos cinemas entre duas grandes potências dos quadrinhos deixa um pouco a desejar. Se não fosse pela introdução relâmpago da Mulher Maravilha (que deixa para apresentar em seu filme solo, já em produção, todas as nuances da personagem), é bem provável que esse encontro fosse facilmente esquecível. 

| Gabriel Fabri