Perfeita É A Mãe!

Amy Mitchell (Mila Kunis, de Amizade Colorida) é uma mãe que enfrenta uma rotina sobrecarregada: cuidar dos filhos e da casa e trabalhar fora. Ela até tenta cuidar de si mesma, com uma hora semanal na aula de zumba. Tentando equilibrar todas as suas obrigações, ela finalmente joga a toalha ao pegar o marido se masturbando na webcam – sim, ela tinha um marido para ajudá-la com tudo, mas nem mais para o sexo ele servia. Partindo dessa constatação – de que ainda hoje existem pessoas que pensam que as mulheres devem trabalhar dobrado que os homens, uma vez que ainda deixam só para elas as funções domésticas e até a educação dos filhos -, o longa-metragem Perfeita é a Mãe! (Bad Moms) consegue ir além dessa crítica social, mostrando que deve haver um equilíbrio em tudo e que, portanto, mães também tem o direito de se divertir (e merecem muito isso).

O principal fator dessa mudança na vida de Amy foi, além da traição (?) online do marido, conhecer Karla (Kathryn Hahn, de Um Amor A Cada Esquina), uma mãe mais relaxada com relação aos filhos, e Kiki (Kristen Bell, da série Veronica Mars), que parece ser ainda mais atarefada que Amy. Elas resolvem, após um primeiro encontro, deixar de serem boas mães, e partem para a farra: ao som de I Love It, da Icona Pop com Charlie XCX, elas quase destroem um supermercado. Amy está determinada a mudar de vida, mas terá como um obstáculo a presidente da associação de mães, a controladora Gwendolyn (Christina Applegate), que fará a sua vida um inferno.

Bem intencionada, a comédia falha no humor, que por vezes soa forçado demais. Não há nenhum momento de grandes gargalhadas no filme, entretanto, há pequenas tiradas que fazem valer a pena. Se está difícil Hollywood acertar em comédias, esta pelo menos tem os seus trunfos: o elenco liderado por Mila Kunis é excelente e o roteiro acerta em ponderar os prós e contras de ser uma “bad mom” (mãe ruim, em inglês). A trilha sonora descolada com sucessos do pop dá um tempero a mais, embora esteja em excesso. O resultado é um longa-metragem divertido e que levanta boas questões relacionadas principalmente ao universo feminino, mas também à relação entre pais e filhos. As cenas pós-créditos deixarão o público com vontade de abraçar as suas mães, mas esse filme é menos sobre valorizar as mães e mais sobre deixá-las terem um tempo para si mesmo. Nenhuma mãe é perfeita – mas como o ideal da perfeição é inatingível para todos, que não seja por ele a nossa luta diária.

| Gabriel Fabri

Publicado originalmente em agosto 2016, na estreia do filme nos cinemas.

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