Pyewacket – Entidade Malígna – Crítica

A floresta é um dos ambientes favoritos no gênero do suspense e do horror. A dificuldade de se localizar, a sensação de isolamento, a imensidão e a presença de animais e armadilhas, além da escuridão ao anoitecer, já serviram de artifício para criar grandes histórias – clássicos como A Bruxa de Blair e Cemitério Maldito, que recentemente ganhou uma refilmagem, souberam usar esse cenário ao seu favor. Em Pyewacket – Entidade Malígna, filme de Adam McDonald, a floresta é cenário para um ritual satânico.

Na trama, a jovem Leah (Nicole Muñoz) começa a se interessar por ocultismo após a morte de seu pai. Sua mãe (Laurie Holden), entretanto, tem mais dificuldade em superar o luto, e resolve então que as duas irão se mudar para outra casa – ela aluga então uma residência isolada de tudo e de todos ao lado de uma floresta. Após uma briga com sua mãe, Leah resolve invocar o espírito de Pyewacket para matá-la, mas imediatamente se arrepende. Agora, ela vive com medo de que o ritual tenha, de fato, funcionado.

Além de não trazer nada de novo para o gênero, o longa-metragem é cheio de incongruências. A começar que, uma mãe preocupada com a filha se tornando gótica / bruxa / satânica jamais iria se mudar para ao lado de uma floresta isolada de tudo. Depois, uma mãe que não suporta mais ver a cara da filha também não iria se isolar com ela. Por fim, a maneira como Leah se arrepende do ritual e vira melhor amiga da mãe não convence – e a verdade é que o peso dessa responsabilidade sob seus ombros é pouco explorado, tirando uma ótima cena em que ela conta para os amigos o que fez.

Ignorado esses problemas, é fato que o filme prende a atenção, explorando esse medo constante dela de que algo pode acontecer com a mãe a qualquer momento. A câmera começando distante e se aproximando dá essa sensação para o espectador e também acerta ao não mostrar muito a criatura, mas o filme não vai muito além disso – tenta com a trilha sonora e imagens da floresta à exaustão criar um clima de terror. Mas a chegada da personagem Janice (Chloe Rose), que ganha destaque mais para o meio do filme, torna as coisas interessantes, o que poderia fazer com que Pyewacket – Entidade Maligna fosse um terror razoável.

Entretanto, o longa-metragem tira sarro da cara do espectador ao tentar forçar uma reviravolta em cima de algo muito nítido, que apenas a protagonista não havia sacado. Colaborando com o preconceito de que personagens de filmes de terror são burros, Pyewacket – Entidade Maligna termina da pior maneira possível, comprometendo a credibilidade do longa-metragem.

Por Gabriel Fabri

Confira o trailer de Pyewacket – Entidade Maligna:

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