O Problema de Nascer (44ª Mostra Internacional de Cinema)

Premiado em Berlim, O Problema de Nascer é destaque na 44ª Mostra Internacional de Cinema

Vencedor do Encounters, Prêmio Especial do Juri no Festival de Berlim de 2020, o drama O Problema de Nascer (The Trouble With Being Born) é certamente um dos destaques na programação da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O longa-metragem dirigido por Sandra Wollner retrata a solidão em um futuro no qual filhos podem ser “substituídos” por ciborgues.

A primeira parte do longa-metragem foca na relação entre um pai e uma filha. Se o público assistir ao filme desavisado, vai demorar para entender que a criança não é tão humana quanto se parece – embora sua aparência perfeita lembre uma boneca artificial. O fato de que Elli é um ciborgue é apenas sugerido, pelo menos nesse começo, assim como também é sugerido que pai é um pedófilo e tem uma relação incestuosa com a filha, cujo corpo é de menina (ela é interpretada por uma atriz de dez anos, cujo nome não foi revelado, e que veste uma máscara de silicone).

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Filme premiado no Festival de Berlim

Essa relação sexual entre os dois personagens – nunca comprovada visualmente, mas facilmente dedutível – está no epicentro da polêmica que O Problema de Nascer pode suscitar. Ainda mais por que o filme não o condena de maneira explícita, pois não gira em torno dele especificamente – você não vai ver Elli se vingando do patriarca e um final à lá Tarantino. O Problema de Nascer não é um filme de rape revenge, embora talvez pudesse ser interessante se buscasse esse caminho, meio como um Lolita futurista encontrando A Vingança de Jennifer.

Na verdade, o que Sandra Wollner propõe é um filme filosófico e melancólico sobre a solidão na vida adulta. Nessa distopia, a função dos ciborgues é preencher um vazio – a perda precoce de um filho, por exemplo. O Problema de Nascer parece ser, justamente, a morte, algo irreversível, ou o fato de que não podemos controlar tudo, embora se tente justamente isso. O Problema de Nascer é justamente o vazio – aquele dentro de nós, aquele dentro da ciborgue, aquele deixado pela perda de algo ou de um outro. Algumas coisas não podem ser substituídas, afinal.

Por Gabriel Fabri

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Confira o trailer de The Trouble With Being Born:

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