Má Sorte ou Pornô Acidental (45ª Mostra)

Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim, o filme Má Sorte ou Pornô Acidental faz uma sátira provocadora e inteligente à sociedade romena. O filme integra a 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim, o filme Má Sorte ou Pornô Acidental faz uma sátira provocadora e inteligente à sociedade romena. Entretanto, as peculiaridades e preconceitos do país, marcado por ditaduras e episódios de genocídio, racismo e violência, ecoam temas universais da contemporaneidade, discutindo revisionismo histórico, perseguição à professores, revenge porn e sexualidade. O filme integra a 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

O filme é dividido em três atos. Como prólogo, temos as imagens da fita pornô do título, sem censura. Exibir um pornô em um festival é a primeira ousadia do longa-metragem escrito e dirigido por Radu Jude. O primeiro ato acompanha o dia da protagonista, Emi (Katia Pascariu). Aos poucos, descobrimos que ela é mãe e está preocupada com o vazamento do vídeo pornô caseiro que fez com o marido – todo esse primeiro ato, entretanto, é menos para conhecer a personagem e sim observar as pessoas ao redor dela, em uma Romênia em meio à pandemia da Covid 19.

O segundo ato é mais instigante, com uma série de vídeos curtos explicando conceitos simples, de maneira ácida e mordaz. As críticas começam a ficar mais explícitas, misturando costumes com episódios históricos, e o público global começa a se situar um pouco mais na história da Romênia, marcada pelo racismo e genocídio contra os ciganos e judeus.

O terceiro ato é o mais surpreendente. Nele, vemos uma espécie de inquisição “moderna”, um verdadeiro linchamento, o cancelamento da professora que teve o seu vídeo vazado. Má Sorte ou Pornô Acidental expõe os preconceitos da sociedade armênia, um microcosmo da global, e sua hipocrisia em relação ao sexo e à sexualidade; o hábito de culpabilizar as vítimas; os discursos moralistas conservadores cheios de hipocrisia e frases prontas. Assistir a esse “cancelamento” de uma professora por pais incompetentes e desprezíveis provoca uma comédia desagradável, ao melhor estilo do humor irreverente de Lars von Trier.

Para o deleite do público, Má Sorte ou Pornô Acidental ainda surpreende com um final catártico e divertido, com boas tintas de absurdo.

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Por Gabriel Fabri (@_gabrielfabri)
Jornalista, especializou-se em Cinema, Vídeo e TV pelo Centro Universitário Belas Artes. Colaborou com Revista PreviewRevista Fórum Em Cartaz. É autor de Fora do Comum – Os Melhores Filmes Estranhos e O Pato – Uma Distopia à Brasileira.
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Uma distopia mais insana do que a política brasileira!

Confira o trailer de Má Sorte ou Pornô Acidental abaixo:

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