Quando Margot Encontra Margot – Crítica

Como os franceses fazem uma comédia romântica? Orçamentos mais modestos e uma menor necessidade de grandes bilheterias acabam dando mais liberdade para os realizadores, que geram filmes muitas vezes mais interessantes. Dessa forma, o longa-metragem escrito e dirigido por Sophie Phellières, Quando Margot Encontra Margot, é certamente um bom exemplo do gênero.

A premissa é bem simples: duas mulheres de mesmo nome, as Margots do título, são na verdade a mesma pessoa, porém em idades diferentes. Agathe Bonitzer interpreta a versão mais jovem enquanto Sandrine Kiberlain, a mais velha.

Os primeiros minutos da obra se dedicam principalmente a apresentar as protagonistas, algo que é feito com muito talento e sensibilidade. Longe de serem dois arquétipos, ambas têm características muito humanas, com seus defeitos e qualidades apresentadas sem julgamentos ou idealizações. Há uma solidez na construção da personalidade das personagens, que é feito logo nos primeiros minutos e impedem que a obra se torne um filme ruim, mesmo diante das diversas fraquezas de roteiro.

Se o maior acerto é a construção das personagens, o maior erro é a construção das situações. A aleatoriedade, por exemplo, do encontro entre as duas Margots e o reconhecimento de uma na outra se dá de uma maneira tão simples que deixa de ser crível. Essa aleatoriedade se repete também em outros momentos do filme, como a construção de um triângulo amoroso a partir de um encontro em um trem de viagem.

Além disso, há momentos, principalmente na transição do segundo para o terceiro ato, em que a narrativa estaciona, deixando o filme sensivelmente arrastado.

Porém, se Phellières deixa a desejar como roteirista, se revela talentosa como diretora. Mesmo aquelas cenas construídas de maneira aleatória pelo roteiro, ainda sim conseguem divertir, graças a uma precisa e hábil direção que consegue extrair o talento das atrizes e o carisma das personagens, com enquadramentos eficientes e diálogos afiados.

Quando Margot Encontra Margot é um filme sem grandes atrativos, com uma premissa simples, porém cuja boa direção e a complexidade das personagens pode se tornar interessante, principalmente para quem procura uma comédia leve – feita com moldes diferentes daqueles do cinema estadunidense.

Por Caio Ramos Shimizu

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