Expocine: “Minha Vida em Marte” foi o filme latino-americano de maior bilheteria no ano

Feira de cinema, a Expocine 2019 trouxe no dia 2 uma palestra sobre o mercado cinematográfico latino-americano

No seu primeiro dia de palestras, a Expocine 2019 trouxe um panorama sobre o mercado exibidor em toda a América Latina. Com dados da ComScore, empresa de captação e análise de rendas dos cinemas, o palestrante Luis Vargas trouxe dados interessantes para se entender o atual momento do mercado, tanto em relação a produções internacionais, cujo fenômeno Vingadores chegou a ocupar quase a totalidade de salas do Brasil em abril, até locais: a comédia brasileira Minha Vida em Marte foi a produção latino-americana de maior sucesso em 2019.

Vargas classificou como brutal o potencial do mercado exibidor latino-americano. Nos últimos quatro anos, mesmo com o crescimento dos serviços de streaming, os cinemas cresceram 27% em número de salas. Só no ano passado, o público cresceu 10%. Isso em um cenário no qual menos títulos estão estreando: 7% menos filmes, em comparação ao ano passado.

O cenário é de que menos títulos dos EUA estão estreando, mas esses filmes estão fazendo mais dinheiro. A produção norte-americana corresponde a 86% de todos os filmes exibidos na América Latina. Fenômenos de bilheteria como Vingadores – Ultimato, Aladin, Toy Story 4 e O Rei Leão ajudam a explicar esses dados. Vingadores, inclusive, foi responsável pelo dia de maior bilheteria da história da América Latina em sua estreia.

O México e o Brasil figuram em primeiro e segundo lugar em vários momentos, inclusive, quanto ao número de salas – são mais de sete e de três mil, respectivamente. São os mercados mais importantes da América Latina, portanto. Entretanto, o país que mais exporta títulos é a Argentina.

Comparando os dados dos cinemas com a Netflix, Vargas apresentou uma conta que mostra queda no consumo do serviço de streaming pelos desktops. Entretanto, ela não leva em conta o fato de que se tornou cada vez mais comum acessar a esses serviços via celular e Smart TV. Fica claro, assim, que o farol para o mercado cinematográfico é investir em conteúdo. Ou seja, levar para os cinemas o que as pessoas querem ver e não encontram no streaming.

Outro dado curioso é o de que o Circuito Spcine tem a maior taxa de saturação por sala da América Latina – isso significa a maior proporção de lugares ocupados por sessão. São 20 salas, a maioria com exibições gratuitas em CEUs, espalhadas pela cidade.

“Quem Trata Cinema Bem é o Cinema”

Discutindo maneiras de fortalecer o elo entre produtores, distribuidores e exibidores, Marcelo Bertini, da Cinemark Brasil, jogou a real sobre as plataformas de streaming, durante outra palestra da Expocine: “Quem trata cinema bem é o Cinema”, pontuou. Para ele, os filmes em VOD são tratados como “lixo” e se perdem no meio de tantos títulos, ficando a cargo da “curadoria” de robôs. “Para carregar uma página, a Netflix usa 150 mil variáveis”, explica. “Como ter certeza de que o robô vai dar destaque para o seu filme?”.

Bertini ainda reforçou que não existe indústria audiovisual brasileira forte sem cinema brasileiro forte e que é um desafio fortalecê-lo em um cenário no qual os cinemas sofrem uma concorrência indireta de séries de TV. “É um concorrente que não está no nosso ringue”, explica.

Presente no debate, Marcio Fraccarolli, da Paris Filmes, afirma que a empresa vem apostando em nichos de mercado, como as comédias populares, os filmes religiosos e os infantis, agora após o sucesso de Turma da Mônica – Laços. Para ele, o cinema é a principal janela, e o VOD é uma consequência do trabalho bem feito na telona. Ele entende que o streaming cutucou o exibidor de que o cinema precisa se aproximar de seu público – distribuidores e produtores não tem muito contato com o consumidor final, os cinemas sim.

Fabiano Gullane, da Gullane Entretenimento, ressaltou que a sua produtora trabalha diversificando os produtos em três frentes: produções voltadas ao público brasileiro; co-produções internacionais; e projetos crossover, que funcionam para o público local mas que também tenham potencial internacional.

Por Gabriel Fabri

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