Projeto Gemini – Crítica

Novo filme de Ang Lee, Projeto Gemini aposta suas fichas em Will Smith duplicado

O cineasta Ang Lee acumula em seu currículo dois Oscars de Melhor Diretor, por As Aventuras de Pi e O Segredo de Brokeback Mountain. Surpreende, portanto, que ele se proponha a fazer algo tão sem sal como Projeto Gemini (Gemini Man), que aposta todas as fichas na ideia de duplicar e rejuvenescer o astro Will Smith.

Na trama, Henry (Will Smith) é um talentoso atirador de elite que resolve se aposentar. Entretanto, ele entra na mira do governo após descobrir que o seu último alvo não era quem ele imaginava – ao invés de matar um terrorista, acabou assassinando um cientista. Com a ajuda da agente Danny (Mary Elizabeth Winstead), Henry tenta descobrir o que está por trás do Projeto Gemini, liderado por Clay (Clive Owen), enquanto foge de seu próprio clone.

Para um homem que resolve se aposentar após matar mais de 70 pessoas para um governo que mentiu para ele e que começa a perseguí-lo, Henry é um personagem pouco atormentado. É um genérico de herói, e talvez esse seja um dos motivos pelos quais Projeto Gemini não funciona. Além de ser genérico, o personagem ainda é duplicado em sua versão mais jovem, tão sem personalidade quanto. O elenco de apoio também não ajuda, e sequer o personagem engraçado que todo filme de Hollywood precisa ter é realmente engraçado.

Projeto Gemini limita-se a ser um esquecível filme de ação, iludido talvez pela novidade de rejuvenescer digitalmente Will Smith. Pior, ainda deixa de lado caminhos interessantes, como o vilão. O que leva um homem a clonar o próprio colega e tratar a cópia como parte de sua família? É um tesão reprimido? Uma sensação de impotência ou inferioridade diante de um colega mais bem-sucedido? Seja o que for, o filme não explora bem essas nuances, e o vilão, que poderia ser interessante, fica totalmente apagado.

Por Gabriel Fabri

Confira o trailer de Projeto Gemini:

Nota:

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