O Irlandês – Crítica

Com favoritismo ao Oscar, O Irlandês, de Martin Scorsese, chega à Netflix

Steven Spielberg, há não muito tempo, polemizou dizendo que filmes lançados diretamente no streaming não deveriam concorrer ao Oscar, mas sim ao Emmy, já que no ponto vista do diretor, tais obras estão muito mais relacionadas à televisão do que ao cinema. A Netflix, por sua vez, resolveu a questão com muita facilidade, exibindo seus longas com mais potencial em algumas limitadas sessões em salas de cinema. O Irlandês, de Martin Scorsese, é um exemplo.

Porém é fato que empresas como Netflix e Amazon Prime vêm produzindo com, quase, a mesma qualidade e competência do que os estúdios tradicionais. Sabendo disso, é claro que tais empresas se fariam notar pela indústria do audiovisual americano. A parte tais discussões, o também veterano Martin Scorsese viu em uma rede de streaming o ambiente mais adequado para produzir uma de seu filmes mais ousados e inspirados. O fato é que ele acabou produzindo uma obra-prima e sem querer acabou tornando tais plataformas ainda mais respeitadas.

O Irlandês é um épico que gira em torno de um dos crimes mais intrigantes da história dos Estados Unidos: o desaparecimento do líder sindical Jimmy Hoffa. Dessa forma, o fio narrativo é a trajetória do matador de aluguel Frank Sheeran, o irlandês que dá nome ao longa.

O fato do diretor ter recrutado seu velho parceiro, Robert DeNiro; tirado Joe Pesci da aposentadoria e, pela primeira vez, escalado Al Pacino para o elenco já deixou em alerta cinéfilos de todos os cantos. E é claro que o trio entrega atuações absolutamente inspiradas. Apesar de interpretarem figuras sórdidas e perigosas, os três atores conseguem construir figuras extremamente humanas com suas vaidades, fragilidades e culpas, sem nem uma sombra de caricatura.

Percorrendo um período de tempo muito extenso, Scorsese recorre ao já manjado rejuvenescimento digital, para nos mostrar a juventude de seus protagonistas. Porém aqui não é usado como um virtuosismo técnico, como nos filmes da Marvel, mas como uma ferramenta que ajuda na construção da narrativa. Alguns podem torcer o nariz vendo homens de trinta/quarenta e poucos anos se movendo como sectagenários; creio que diante de todos os elementos, tal incômodo seja mera implicância.

Todavia, o grande mérito da obra é a demonstração dura e crua das relações humanas que decorrem do universo da máfia, onde interesses pessoais e institucionais coexistem e se confundem, cuja coexistência e confusão são o principal gerador da violência que caracteriza tais organizações. Consequentemente tal brutalidade é a causa de danos irreversíveis na vida de quem as vivencia, não apenas na condição de vítima, mas na posição de algoz.

Dessa forma, o retrato da implacabilidade da culpa e da passagem do tempo confere um peso absurdo, principalmente nos momentos finais do filme. A mensagem é clara: o tempo de fato nos destrói, porém não destrói as consequências de nossos atos.

O Irlandês certamente estará presente nas principais categorias do Oscar: melhor filme, ator e direção contarão com a obra de Scorsese competindo pela vitória. Acima das premiações, o épico já é sem dúvida alguma um dos grandes filmes do diretor ítalo-americano, e já nasceu com o status de clássico, sendo uma obra obrigatória a todos os apaixonados por cinema.

Por Caio Shimidzu

Assista ao trailer de O Irlandês:

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