Inspirado em Trump e Bolsonaro, “O Pato – Uma Distopia à Brasileira” é lançado

O Pato – Uma Distopia à Brasileira – livro de Gabriel Fabri é livremente inspirado em Trump e Bolsonaro. Saiba mais!

Uma distopia ainda mais insana e surrealista do que a política brasileira – e você sabe que a concorrência é grande! Livremente inspirado em fatos e personagens da história recente do Brasil e do mundo, O Pato – Uma Distopia à Brasileira, romance de estreia do jornalista paulistano Gabriel Fabri, chega em formato ebook. O livro concorre ao 6º Prêmio Kindle de Literatura. Clique aqui para ler.

“O livro nasceu da minha vontade absurda de furar o Pato da Paulista, lá em 2015”, conta o escritor. “Como eu não podia, literalmente, furá-lo, comecei a desenvolver essa história, que ganhou novos contornos com a ascensão de Bolsonaro: aquele pato de borracha, afinal, está na gênese do que possibilitou que o presidente fosse eleito.”  

Na trama, tudo começou com uma multidão erguendo um pato amarelo e gigante nas ruas. Com os políticos em total descrédito, era necessário um outsider para reestabelecer o equilíbrio e o patriotismo da nação por meio de um grande acordo nacional — e, de acordo com o clamor do povo, tão cansado de políticos de carne e osso, o único que poderia articular a Nova Política era alguém que estava além da falibilidade humana: o Pato, um novo governante — de borracha.

Em Patown, capital da Patolândia, cujas ruas são arborizadas com as mais naturais árvores de algodão doce, a jovem Alice se considera um “patinho feio” e equilibra as responsabilidades de “cidadã de bem” da melhor maneira possível: enquanto cultiva uma atração secreta pela melhor amiga, também sonha em ser pedida em casamento durante o baile de formatura pelo capitão do time de futebol. Tudo continuaria como um mero desejo secreto se não fosse a estranha voz que Alice ouve em sua assistente pessoal, uma voz que traz uma mensagem e faz um desafio, forçando-a a questionar os dogmas e a vida dentro dos muros de Patown, seu País das Maravilhas, onde as garotas precisam ter cabelo rosa, e os garotos, azul. Os muros são uma referência aos muros de Donald Trump.

Na contramão das distopias tradicionais

Além de se inspirar livremente em figuras e acontecimentos da política recentes, o livro tem como referências desde obras consagradas da cultura pop, como o filme Meninas Malvadas e as distopias Jogos Vorazes e O Conto da Aia, até obras com toques surrealistas como as dos cineastas David Lynch, Luis Buñuel e Alejandro Jodorowsky. 

“Trazer uma pegada pop para o livro, com referências a clipes de Katy Perry e Kylie Minogue, inclusive, foi importante para dar um verniz de alienação à história: a protagonista vive sob um governo totalitário, uma ditadura religiosa, mas acredita que vive no país das maravilhas”, explica o autor. “Ela vive dentro de uma bolha, simbolizada pelos muros que separam Patown de seus arredores.”

Um dos pontos mais curiosos da obra é o uso do surrealismo. “Essa foi uma saída que encontrei para responder à pergunta: por que alguém se interessaria por uma distopia enquanto estamos vivendo em uma? O surrealismo distancia o leitor dos acontecimentos recentes, mergulhando-o em um mundo de fantasia – uma fantasia macabra -, além de colocar O Pato na contramão das distopias tradicionais, que pintam um mundo de pesadelo, mas com tintas realistas. O que me interessa, aqui, é o absurdo e não o realismo, pois são absurdos, também, os tempos que vivemos.” 

“Os leitores de Jogos Vorazes cresceram”

Apesar de ter personagens adolescentes, O Pato – Uma Distopia à Brasileira é totalmente voltado ao público adulto, e fala sobre política, sexo e religião sem censura, sem tabus e com muita ironia. “Os leitores de Jogos Vorazes cresceram, então, não faz sentido ter uma protagonista tão idealizada e nem deixar certos temas de fora, mesmo que parte da ação se passe entre os muros de um colégio”, explica Fabri. O romance inclui uma protagonista que deseja explorar a sua sexualidade, para além do que é permitido pelas leis heteronormativas de Patown. “É raro ver o tema da bissexualidade ser retratado na literatura, especialmente no gênero distópico, por isso quis explorar com honestidade essa fase de descobertas, confusões e incertezas”, explica o autor.

Gabriel, que também teve sua própria experiência com “bolhas” nos colégios de elite de São Paulo, trouxe muito de sua vivência como um garoto excluído para as páginas. “Por esse lado, o livro tem uma conotação positiva, de esperança, que é raro em uma distopia: Alice se sentia um ‘patinho feio’, como eu me senti por quase duas décadas, e vai tentar dar a volta por cima”, revela. “Tudo o que eu queria era ser o garoto mais popular da escola e eu era o menos (risos).”   

Leia já O Pato – Uma Distopia à Brasileira:

O Autor

Gabriel Fabri é jornalista especializado em cinema. É autor de “Fora do Comum – Os Melhores Filmes Estranhos” e “Fora do Comum – Vol. II: Filmes Ainda Mais Estranhos”, livros que deram origem à cinelist oficial “Filmes Fora do Comum”, do Telecine. Colaborou com críticas para o livro “O Melhor do Terror dos Anos 90” (Editora Skript, 2021). 

Site: gabrielfabri.com.br
Instagram: @_gabrielfabri 

O Pato – Uma Distopia à Brasileira– R$24,90

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