Exílio (44ª Mostra Internacional de Cinema)

Exibido nos festivais de Berlim e Sundance, Exílio fala sobre xenofobia na 44ª Mostra Internacional de Cinema

Um tema recorrente no cinema europeu atual é a xenofobia. O preconceito contra os estrangeiros entrou em pauta, com o crescimento nítido desse sentimento, incluindo aí a formação de grupos políticos extremistas e neonazistas. Exibido nos festivais de Berlim e Sundance, Exílio retrata justamente essa sensação de que a xenofobia é uma panela com água no limite de transbordar. O filme faz parte da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Xhafer nasceu no Kosovo, mas seus colegas insistem em confundir, acreditando que ele tenha nascido na Croácia. Um simples erro inocente? Talvez, mas o homem, que mora na Alemanha e trabalha já há dois anos em uma empresa farmacêutica, começa a questionar todas as atitudes a sua volta, a partir do momento em que chega em casa e encontra um rato morto pendurado em sua porta. A provocação é a apenas a primeira de muitas.

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Filme foi exibido nos festivais de Sundance e de Berlim

Dirigido por Visar Morina, Exílio é um longa-metragem envolvente, pois consegue, de fato, mergulhar o espectador na sensação do personagem de que ele está sendo, de fato, perseguido, e apenas por ser diferente. Cada gesto sutil acaba sendo um peso a mais nessa sensação, embora tanto o público quanto o protagonista têm dúvidas sobre a natureza de cada ação – não o incluíram na lista de emails por xenofobia, por maldade, ou apenas foi um erro comum do sistema? Xhafer de fato checou a sua caixa de spam?

O incômodo do ambiente do trabalho intoxica o casamento de Xhafer, que é pai de duas filhas e de um bebê recém-nascido. Sua esposa é alemã e venceu a resistência da mãe ao se casar com um estrangeiro de sotaque albanês. Entretanto, ela não parece muito abalada com as provocações que ele recebe, nem quando elas ficam um pouco mais assustadoras. Seria Xhafer vítima de xenofobia ou, na verdade, apenas vítima de sua própria arrogância? Ele não é uma vítima perfeita – desconfia, por exemplo, de que a mulher esteja tendo um caso, ao mesmo tempo em que ele transa com a faxineira no banheiro do escritório.

Exílio, com seu protagonista imperfeito, constrói um drama onde paira um sentimento de desconfiança de todos ao redor. Uma trama de um homem obcecado por sua própria vitimização e arrogância, ou de um homem vítima constante de pequenos olhares, comentários, atitudes dúbias, que se tornam agressões? Exílio é, talvez, um pouco dos dois, e nos faz pensar sobre como podem machucar as pequenas atitudes, brincadeiras ou mesmo comentários inocentes, que temos com quem é diferente de nós.

Por Gabriel Fabri

Assista ao filme acessando o Mostra Play clicando aqui. Assista ao trailer do filme abaixo:

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