O Homem Que Elas Amavam Demais



Por Gabriel Fabri

Novo filme de André Téchiné, “O Homem Que Elas Amavam Demais” é a sétima parceria do diretor com a atriz Catherine Deneuve (“Três Corações“), um dos maiores ícones do cinema francês. Nessa história, inspirada em um caso real, a atriz brilha no papel de Renée, a dona de um cassino que enfrenta problemas financeiros. Entretanto, não é nela em que recaem as atenções da história.

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  • Interpretada pela talentosa Adele Haenel (“Amor à primeira briga“), Agnès Le Roux, filha de Renée, acaba de chegar de viagem e quer o dinheiro que lhe pertence, da herança de seu pai. Diante dos problemas financeiros do cassino de sua mãe, ela aceita a demora em receber a quantia, pois consegue abrir a sua livraria sem o montante de 3 milhões de dólares que tinha direito. Imediatamente após chegar dessa viagem, o homem que vai buscá-la desperta na garota uma certa curiosidade. Ele é Maurice Agnelet (Guillaume Canet), braço direito de sua mãe. 
    Téchiné altera com sutileza os pontos de vista ao longo do filme. No começo, todas as atenções são voltadas ao tal homem, que agrada mãe e filha, mas de maneira que nunca deixa de ser suspeita para o espectador. O estilo do personagem ao tentar fazer de tudo para que Renée seja presidente do conselho causa desconfiança desse o começo. Está plantada uma semente essencial do filme, que logo passa a focar as atenções totalmente na filha, que começa a se sentir atraída pelo homem, mesmo sabendo que ele tem várias amantes. No final, o foco narrativo muda novamente, recaindo sobre a mãe.
    Agnés é a personagem que torna o filme interessante. Isso pois ela é quase indecifrável. A linha entre a manipulação de Agnelet sob ela e o que ela realmente sente e deseja é tênue, e as duas coisas realmente se confundem. É uma personagem errante, parece adolescente quando se apaixona pela primeira vez – mas no seu relacionamento com Agnelet, há muito mais coisas envolvidas que um romance convencional. Há poder e dinheiro. E Agnés parece muito decidida, mas, ao mesmo tempo, parece perdida. Forte e ingênua. Quanto mais próximos dessa personagem, mais confuso o espectador pode ficar. 
    “O Homem Que Elas Amavam Demais” é um filme esquisito, pela complexidade dessa personagem principal, pelos movimentos de câmera rápidos e pelo desenrolar da narrativa. Esquisito não quer dizer ruim, pelo contrário. É um longa-metragem interessante, que prende atenção, e que, ao final, deixa um mistério, uma ponta solta, como na história real.