In-Edit 2021 – Secos & Molhados

Fundador desvenda sucessos do grupo Secos e Molhados em documentário do In-Edit 2021

Haveria todas as razões para que o documentário “Secos & Molhados”, dirigido por Otávio Juliano, fosse uma chatice retumbante. Uma única pessoa, no caso o cantor, músico e compositor João Ricardo, sentada numa cadeira em cima do palco do Theatro Municipal de São Paulo, tocando violão (o que logo de cara diz não fazer muito bem), cantando e contando histórias passadas no início da década de 1970, com pouquíssimas interferências de fotos e desenhos.

Mas não é o que acontece. João Ricardo nos envolve totalmente com a maneira peculiar e entusiasmada de contar a história de uma das bandas mais importantes da música brasileira e como nasceram canções que fazem parte do nosso repertório e da nossa memória afetiva. Entre elas, estão “Sangue Latino”, “O Vira”, “Assim Assado”, “Mulher Barriguda”, “El Rey” e Amor”. Também constam do documentário as adaptações de “Rondó do Capitão”, de Manuel Bandeira, e “As Andorinhas”, de Cassiano Ricardo. Mas sente-se falta de “Rosa de Hiroshima”, o que se justifica por ser um poema de Vinicius de Moraes musicado por Gerson Conrad.

Podem não ser lá grandes novidades. Parece que praticamente tudo já foi dito a respeito dos Secos & Molhados, que ganharam uma linda e fundamental biografia “Primavera nos Dentes: a História do Secos & Molhados”, escrita pelo jornalista Miguel de Almeida. Mas não deixa de ser bastante interessante escrutar João Ricardo contar a respeito da primeira formação da banda – a que se consagrou foi a segunda –; da relação com a grande parceria Luli; e a respeito da influência que sofreram dos fundamentais e revolucionários Dzi Croquettes. Por isso e por muito mais é que o documentário de Otávio Juliano merece tanto ser visto e não é nada cansativo ou monótono.

Por Guilherme Bryan

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