Jogo do Poder

Crise da Grécia é retratada em Jogo do Poder, novo filme de Costa-Gavras

Conhecido por seu cinema político, o cineasta grego Costa-Gavras analisa a crise econômica que arruinou o país na sequência da crise global de 2008. Em Jogo do Poder, o cineasta retrata os esforços, em vão, do governo grego de tentar solucionar a crise indo na contramão das medidas de austeridade impostas pela União Europeia – pacotes econômicos que impunham duras medidas para a população grega, e que sequer serviam, de fato, para ajudar a Grécia e os seus problemas econômicos e sociais.

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A ação se passa em 2015, ano no qual o esquerdista Alexis Tsipras assume como primeiro-ministro e reacende a esperança de novos rumos, após cinco anos de política econômica submetida ao domínio das grandes potências europeias. O foco do roteiro é nos esforços do economista Yanis Varoufakis em aprovar uma solução na União Europeia que mude os rumos do país, entretanto, ele vai descobrir que o Grande Capital é intransigente nas negociações, mesmo que, na grande imprensa, quem saia taxado como intransigente é ele.

O roteiro e direção de Costa Gavras impressionam com a facilidade com o qual um assunto espinhoso, uma discussão econômica que envolve muitos pormenores e necessita de muita contextualização, transforma-se em puro entretenimento em Jogo do Poder, no melhor estilo da série House of Cards. Aqui, entretanto, e essa é uma grande peculiaridade, não se trata de política interna, jogos de interesses no parlamento ou brigas e correlações de forças inter ou intrapartidárias: Jogo do Poder nos lembra que nenhuma país é uma ilha, retratando como a Grécia ficou de mãos atadas dentro da União Europeia.

O longa-metragem nem sequer precisa criar intrigas para envolver o público. É fácil simpatizarmos com o protagonista, que assume a posição de herói melodramático, acossado por forças externas. Talvez entre portas fechadas a situação não tenha sido maniqueísta da forma retratada em Jogo de Poder, mas talvez, tenha. Como só temos acesso ao resultado, o fracasso na tentativa de mudar as coisas, Costa Gavras opta por construir um herói, ao mesmo tempo que um herói fracassado. Fica fácil se envolver com o personagem e repudiar o domínio econômico e político que impôs medidas duras e ineficazes goela abaixo do povo grego em nome de “salvar o Euro”. A declaração de Gavras é clara: havia esperança, haviam alternativas, poderiam ser encontrados muitos meios-termos, mas simplesmente não quiseram – a crise foi uma escolha, imposta e prorrogada por aqueles de fora, e uma escolha cruel.

Por Gabriel Fabri (@_gabrielfabri)
Jornalista, especializou-se em Cinema, Vídeo e TV pelo Centro Universitário Belas Artes. Colaborou com Revista PreviewRevista Fórum Em Cartaz. É autor de Fora do Comum – Os Melhores Filmes Estranhos.
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