Luz Natural (45ª Mostra)

Integrando a programação da 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Luz Natural foi vencedor do prêmio de melhor direção no Festival de Berlim

Integrando a programação da 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o húngaro Luz Natural é um destaques do evento. Vencedor do prêmio de melhor direção no Festival de Berlim, o longa-metragem de Dénes Nagy acompanha uma unidade especial do exército húngaro que busca guerrilheiros de oposição ao regime nazista dentro da União Soviética, em plena II Guerra Mundial. A Hungria, na época, lutou ao lado das forças do Eixo, liderada pela Alemanha de Adolf Hitler.

O foco do roteiro é no personagem István Semetka, durante uma visita de sua unidade a um vilarejo. Os soldados interrogam os camponeses em sua busca pelos opositores, e se alojam junto a eles. Logo, descobre-se, de maneira sangrenta, que há sim membros da resistência no vilarejo.

Luz Natural se difere da maioria dos filmes de II Guerra por não enfocar qualquer conflito entre forças armadas ou os horrores dos soldados nazistas. O confronto com os opositores ou a violência cometida pelos oficiais não estão em primeiro plano. O que está em foco é o profundo incômodo da situação de invadir casas de família de um território ocupado, a sensação de caça às bruxas, essa missão um tanto inglória de invadir um espaço privado em busca de qualquer possível inimigo.

O ritmo de Luz Natural é lento e o filme é denso, mas não consegue envolver o público com os seus personagens, tanto os camponeses quanto o exército. Parece não ter interesse nisso, na verdade, e esse é o maior pecado do filme, que visa retratar um esforço de guerra violento e inútil, mas, ao não trabalhar o envolvimento do público com os seus personagens, acaba não provocando tantas reflexões, tornando-se arrastado e enfadonho.

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Por Gabriel Fabri (@_gabrielfabri)
Jornalista, especializou-se em Cinema, Vídeo e TV pelo Centro Universitário Belas Artes. Colaborou com Revista PreviewRevista Fórum Em Cartaz. É autor de Fora do Comum – Os Melhores Filmes Estranhos e O Pato – Uma Distopia à Brasileira.
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