Jurassic World: Domínio

Jurassic World: Domínio encerra trilogia apostando em uma diversão despretensiosa, sem grandes ousadias, mas mantendo a vertente questionadora da série quanto à interferência da humanidade na natureza.

Poucas tentativas de reviver uma franquia antiga deram tão certo quanto Jurassic World. Ao contrário de exemplos como os novos Star Wars, Caça-Fantasmas ou As Panteras, o reboot do clássico de Stephen Spielberg foi bem recebido por público e menos massacrado pela crítica. Já no terceiro filme, que fecha a nova trilogia, a nova série Jurassic Park se encerra em Jurassic World: Domínio apostando em uma diversão despretensiosa, sem grandes ousadias, mas mantendo a vertente questionadora da série quanto à interferência da humanidade na natureza.

Com o Jurassic Park desativado e os dinossauros espalhados por todo o planeta, concentrou-se uma quantidade deles em um habitat supostamente protegido, controlado por uma grande corporação. O problema é que a vida pacata de Owen (Chris Pratt) e Claire (Bryce Dallas Howard) de repente vira de cabeça para baixo quando sua filha Maise (Isabella Sermon), que é, na verdade, um clone da cientista Charlotte Lockwood, é sequestrada, junta com o filhote do dinossauro Blue. Owen e Claire, então, seguem em busca de Maise, enquanto Ellie Sattler (Laura Dern) e Alan Grant (Sam Neill) miram a mesma empresa para comprovar o envolvimento dela com o surgimento de uma peste de gafanhotos.

Jurassic World: Domínio tem uma leve mudança de ambientação com relação aos filmes anteriores, uma sequência digna de Velozes e Furiosos com dinossauros no deserto, e a adição de uma subtrama, a dos gafanhotos, mas, em sua essência, não foge muito do que consolidou a franquia Jurassic Park como uma das mais divertidas entre os blockbusters. Também não foge à sua essência de questionar os limites da ciência, ou melhor, das empresas por trás dela, algo presente desde o primeiro filme, quando dinossauros são trazidos à vida, de maneira inconsequente, para a criação de um empreendimento turístico.

Jurassic World: Domínio nos alerta a olhar supostamente boas iniciativas com desconfiança, ao expor uma indústria que se dizia cuidar dos dinossauros e fazer pesquisas para a cura de doenças também envolvida em uma iniciativa capaz de causar a destruição de massa na Terra, simbolizada pelos gafanhotos. Também nos mostra a tendência de não querer olhar para coisas que estão nos favorecendo – a euforia com a Biosyn (a farmacêutica que está “cuidando” dos dinossauros e desenvolvendo novas curas milagrosas a partir deles) justifica ninguém ligar os pontos entre ela e a praga (sendo que bastou uma visita da personagem de Laura Dern em uma plantação para perceber isso?). Onde está a fiscalização da imprensa, dos órgãos de saúde, dos serviços públicos?

Em tempos de pandemia, pós-Trump e de aquecimento global, Jurassic World: Domínio é um filme sobre a interferência na natureza, seja a natureza humana seja a física, quando se coloca o lucro, o ego ou a fama em frente das responsabilidades.

Por Gabriel Fabri (@_gabrielfabri)
Jornalista, especializou-se em Cinema, Vídeo e TV pelo Centro Universitário Belas Artes. Colaborou com Revista PreviewRevista FórumEm Cartaz e com o livro O Melhor do Terror dos Anos 90 (Editora Skript). É autor de Fora do Comum – Os Melhores Filmes Estranhos e O Pato – Uma Distopia à Brasileira.
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