Homem-Aranha: Longe de Casa – Crítica

Junto com os X-Men, o Homem Aranha é sem dúvida alguma, um dos principais responsáveis para o surgimento do cinema de super-herói moderno. A maior prova disso é que, após 2002, data em que estreou o longa-metragem de Sam Raimi, todo ano posterior houve ao menos um lançamento envolvendo seres poderosos oriundos dos quadrinhos. Tamanha importância fez com que todo mundo sentisse falta do herói mais popular da Marvel no filme que reunia os principais heróis da Marvel, em Os Vingadores, de 2012. Para a alegria do público, a Sony, detentora dos direitos do personagem, cedeu, e o aracnídeo enfim passou a integrar o MCU.

Agora, já no segundo longa da franquia, Homem-Aranha: Longe de Casa vem como uma espécie de epílogo para a Saga do Infinito e seu desfecho em Vingadores – Ultimato. O filme, dirigido por Jon Watts, brilha principalmente por mostrar as consequências que o estalo de Thanos e a sua reversão têm para as pessoas comuns, principalmente sob o ponto de vista de secundaristas. Irmãos mais velhos que se tornam caçulas ou estudantes veteranos que voltaram mais jovens que os estudantes mais jovens são detalhes que passam despercebidos diante das batalhas épicas das outras obras que aqui, porém, são cuidadosamente retratados. E essa talvez seja a grande diferença deste para o longa anterior: aqui temos uma obra de pequenos conflitos.

O drama, característico do Homem Aranha, que tem o heroísmo muito mais como um fardo do que como uma virtude fica bem evidente aqui. Prova disso é grande parte do conflito da primeira metade do filme ser muito mais a dúvida de Peter Parker entre lutar contra criaturas monstruosas ou ficar com os amigos na excursão, do que lutar contra as criaturas monstruosas propriamente ditas.  

Tais atritos por sua vez são trabalhados de maneira extremamente leve, conferindo uma pesada carga cômica ao longa – se o humor é elemento sempre presente em todas as obras do MCU, aqui temos um filme de comédia de fato. O que por sua vez não novidade na Marvel, já que temos Thor – Ragnarok e as franquias Homem Formiga e Guardiões da Galáxia como exemplo. O que diferencia o novo filme do aracnídeo dessas outras obras é que agora temos um filme protagonizado e que mira diretamente no público jovem, ou seja, se outros longas flertam com a ficção científica ou com a fantasia, Homem-Aranha: Longe de Casa é uma comédia adolescente dentro do universo dos super-heróis.

Isso não quer dizer que não haja grandes cenas de ação e um vilão carismático. Jake Gyllenhaal está excelente como Mysterio, que consegue pegar um personagem sem motivações convincentes e transformá-lo em uma figura crível e cativante. Já os momentos de confronto, principalmente os do segundo ato, são brilhantemente executados, fazendo jus às habilidades de ilusionismo que caracterizam o vilão do filme.

Após o impacto gerado por Vingadores – Ultimato, muitos alegaram que mais um filme do MCU em 2019 seria inoportuno. Homem-Aranha: Longe de Casa vem para deslegitimar tais discursos, funcionando tanto como epílogo quanto prólogo, apresentando novas possibilidades ao maior fenômeno do cinema e da cultura pop atual.

PS: a cena pós créditos é foda!

Por Caio Shimizu

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