Cobra Kai – 3ª temporada

Cobra Kai chega à sua 3ª temporada na Netflix

Atenção: este texto contém spoilers sobre a 3ª temporada de Cobra Kai, da Netflix

Cobra Kai, com suas diversas subtramas, fala sobre muitas coisas, porém o tema central é a dificuldade de superação dos ressentimentos. Tanto que, no primeiro episódio da série, somos reapresentados a um Johnny Lawrence, agora com seus cinquenta e poucos anos, porém ainda incapaz de superar o chute dado por Daniel “San” Larusso e que o fez perder o primeiro lugar do campeonato regional de caratê. Logo ambos os personagens serão colocados frente-a-frente, retornando aos universos que os forjaram: as artes marciais e o ensino médio. 

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Dessa forma, chega em sua terceira temporada a série que foi comprada pela Netflix e é fruto da já abandonada aposta do YouTube em produzir conteúdo próprio. A nova fase então começa com os personagens tendo que lidar com as graves consequências da briga do colégio: Miguel está em coma, Robby está foragido e Samantha está traumatizada. Daniel, por sua vez, está enfrentando problemas de negócios em sua loja de carros enquanto Johnny, que teve sua academia tomada por Kreese, vaga bêbado e desnorteado por Los Angeles. 

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É dentro de todo esse contexto que a obra expõe com mais clareza o seu tema ao apresentar o grande vilão da temporada: Kreese? Não! O rancor. Os acontecimentos do final da segunda temporada e as consequências que eles deixam são um clima de tristeza e ressentimento entre os envolvidos direta e indiretamente. Assim, os personagens menos hábeis em curar as próprias dores vão, gradativamente, se antagonizando àqueles mais capazes de superar as próprias amarguras. Johnny, por exemplo, consegue se reaproximar de Miguel e abrir um novo Dojô ao abdicar da autopiedade gerada pelos acontecimentos da escola. Seu aluno vai na mesma linha, quando vai recobrando gradativamente os movimentos da perna enquanto também abdica de qualquer plano ou sentimento de vingança. 

Já Robby, foragido e posteriormente interno em um reformatório, alimenta um rancor que o afasta tanto de seu pai, Johnny, quanto de seu sensei, Daniel. Inevitavelmente ele se torna um alvo fácil e acaba se aproximando de Kreese. 

Para confirmar sua apologia ao perdão, Cobra Kai reutiliza de maneira eficiente o universo da franquia dos anos 1980. Larusso viaja a negócios ao Japão e aproveita para visitar Okinawa, onde reencontra Kumiko e se reconcilia com Chozen, que chega até mesmo a ensinar técnicas secretas de caratê. Já Lawrence se acerta com Ali Mills, pedindo desculpas pelos seus atos violentos quando adolescente.  

O mais sórdido dos personagens, Kreese, também confirma a tese. Na temporada conhecemos o seu passado, que deixa claro que muito de sua brutalidade foi moldada durante o período em que esteve na Guerra do Vietnã. 

Apesar de ser firme em seu discurso, duas questões da obra podem incomodar. Uma delas é a “oscilação de temperamento” dos personagens. Robby, por exemplo, começa na série como um jovem infrator, reabilita-se após aprender caratê com Daniel e, na terceira temporada, retoma sua má conduta ao ir para o reformatório e, posteriormente, se aproximar de Kreese. A jornada de Hawk também pode ser lida da mesma forma, pois conhecemos o jovem como o mais frágil e vulnerável dos personagens, com caratê vai se “libertando”, se torna uma pessoa verdadeiramente violenta, se afastando de velhos amigos, até que, finalmente, se reconcilia com esses velhos amigos. 

Tais questões prejudicam a série? Não. Robby passou, de fato, por situações capazes de ressuscitar seu temperamento amargo e Hawk nunca se sentiu verdadeiramente confortável com a violência que praticava. Ou seja, roteiro, direção e atores se esforçaram para criar elementos que deixassem tais “oscilações” digeríveis ao espectador. 

O segundo ponto que talvez incomode é a sensação de ser demasiadamente esticada. Isso se deve ao fato de que o desfecho da temporada já havia sido claramente anunciado desde o fim da segunda. Porém, a narrativa constrói de maneira competente e deixa claro que Johnny Lawrence e Daniel Larusso precisavam passar pelas situações que passaram para tomar a atitude tomada no fim da temporada. 

Alguns poucos tons mais dramática, séria e violenta, a terceira temporada segue competente e empolgante, fazendo uma ponte equilibrada entre o nostálgico e o novo, conquistando fãs de diversas gerações. 

Por Caio Shimizu

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