Para Todos os Garotos que Já Amei – Crítica

Lançado recentemente em DVD, no box Sessão Anos 80, o longa-metragem adolescente Admiradora Secreta (1985), com direção de David Greenwalt, traz uma deliciosa história na qual uma carta vai parar nas mãos erradas – o que desencadeia uma série de confusões amorosas envolvendo vários personagens. Mais de 30 anos depois, a premissa da nova produção da Netflix, Para Todos os Garotos que Já Amei, lembra um pouco a do filme dos anos 1980. Aqui, entretanto, cinco cartas que não deveriam ser enviadas chegam aos seus destinatários.

Baseado no romance de mesmo nome de Jenny Han, o filme dirigido por Susan Johnson conta a história de Lara Jean (Lana Condor), uma garota tímida que tem uma queda por Josh (Israel Broussard), o namorado da irmã mais velha – que também é o seu vizinho e melhor amigo. Ao longo de sua infância e adolescência, a menina escreveu cartas para todos os garotos pelos quais ela se apaixonou: ao todo, foram cinco. Ela nunca teve a intenção de enviá-las, porém. Até que um dia ela percebe que todas as cartas chegaram, misteriosamente, aos garotos. Para despistar Josh, que acabara de terminar com a irmã, Lara Jean aceita fingir namorar Peter Kravinsky (Noah Centineo), o ex-namorado de uma das garotas mais populares do colégio.

Apesar da personagem ter escrito cinco cartas, o longa-metragem opta por ignorar duas delas, o que poderiam trazer mais confusões e reviravoltas para a história da personagem. Com isso, o roteiro enfoca mais o desenvolvimento da relação de Lara com Peter, de duas pessoas que a princípio não combinam, que começam a fingir seus sentimentos, até que eles parecem começar a se tornar reais. Assim, o filme mergulha de cabeça no previsível, e segue a cartilha de uma comédia romântica adolescente das mais convencionais, sem sequer explorar direito, por exemplo, o potencial do personagem Josh, que, à princípio, era o garoto que Lara gostava.

Simples, Para Todos os Garotos que Já Amei funciona como entretenimento, e deve agradar o seu público alvo. Entretanto, não se esforça para ir além do convencional – não tem um pingo da originalidade do citado Admirado Secreta, por exemplo. O ponto positivo, portanto, é que, ao tratar do universo da adolescência, a obra indiretamente fala sobre um tema importante e pouco falado: a atitude. Se Lara Jean tivesse enviado as cartas quando as escreveu, ela teria conquistado os garotos que gostava? E se as cartas, afinal, nunca tivessem sido enviadas? A possibilidade de que Lara Jean ainda estaria comendo sozinha no intervalo é grande.

Por Gabriel Fabri

Confira o trailer de Para Todos os Garotos que Já Amei clicando aqui.

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